domingo, janeiro 16, 2011

Qual a melhor equipa de sempre?

O que vos parece?

Por A BOLA

A BOLA promove a partir de hoje a eleição da melhor equipa de sempre na história do futebol.

Hungria de 1954
Grosics; Buzansky, Bozsik, Lantos; Lorant, Zakarias, Czibor, Toth, Hidegkuti; Kocsis, Puskás;
Treinador: Gustav Sebes;
Com uma equipa nacional inspirada no Honved, que em 1954 tinha Grosics, Bozsik, Lorant, Czibor, Kocsis e Puskás, a Hungria aplicou pela primeira vez com real inspiração e sucesso a táctica do W M, letras que a disposição dos jogadores desenhavam no relvado, uma inspiração da Inglaterra dos anos 30. Este sistema primordial acabaria por tornar-se inspirador para brasileiros e holandeses, por exemplo. A presença na final do Mundial-54, perdido por 2-3 para a República Federal da Alemanha, foi a pedra no sapato de uma selecção húngara que durou para sempre. Czibor e Kocsis mudar-se-iam para o Barcelona pouco depois; Puskás faria história no Real Madrid, marcando definitivamente o rumo do futebol mundial.

Real Madrid de 1960
Dominguez; Marquitos, Santamaria, Pachin; Vidal, Zarraga, Canario, DelSol, Di Stéfano; Puskás, Gento;
Treinador: Miguel Muñoz;
Esta equipa, de 1960, foi a que conquistou pela quinta vez consecutiva a Taça dos Campeões Europeus, de resto as cinco primeiras da competição. Foi o balanço que levou o Real Madrid a ser, ainda hoje, a equipa com mais vitórias na prova, nove. Na última final desta série, o futebol voador do Real Madrid resultou em sete golos aos alemães do Eintracht de Frankfurt: 7-3, a final com mais golos de sempre. Eram tempos de Di Stéfano, jogador que não tinha lugar no campo, que jogava em todo o lado, e de Gento, que venceu seis Taças dos Campeões, de 1955 a 60 e depois em 66! A equipa de 1960 era treinada por Miguel Muñoz, que já tinha vencido a prova como jogador e depois o fez como treinador. Também por isso ficou na história.

Benfica de 1962
Costa Pereira; Mário João, Cruz, Germano, Ângelo; Cavém, Coluna, José Augusto, Eusébio, António Simões; José Águas;
Treinador: Béla Guttmann;
O Benfica já tinha sido campeão europeu em 1961, ainda sem Eusébio e logicamente num estilo e onze diferente. Seria em 1962, já com um ataque formado por Eusébio, José Augusto, Águas e Simões. Um ataque que nas finais europeias de 1963, 1965 e 1968 teria Torres, outra lenda, em vez de José Águas. Era um Benfica de fama mundial e que, de resto, seria a base incontornável da Selecção Nacional que em 1966 terminaria o Mundial de Inglaterra num até hoje imbatível terceiro lugar. O futebol ofensivo do Benfica chegava de todos os lados e com igual força: pela velocidade imparável dos alas, pela inteligência perspicaz de Águas e depois pela altura de Torres e, se tudo o resto falhasse, por Eusébio.

Manchester United de 1968
Stepney; Brennan, Foulkes, Sadler, Dunne; Crerand, Stiles, Bobby Charlton; George Best, Kidd, Law;
Treinador: Matt Busby;
Até 1968 a Taça dos Campeões Europeus foi dominada por espanhóis, portugueses e italianos. Em 1967, os escoceses do Celtic venceram o Inter, mas só em 1968 uma equipa britânica, desta feita inglesa, o faria com talentos à escala mundial, casos de Bobby Charlton e George Best e Dennis Law. O primeiro, com fama de senhor inglês, o segundo, falecido em 2005, um norte-irlandês boémio e irresponsável que conseguiu, por outros caminhos, igual admiração. E o terceiro, escocês, avançado que não jogou, lesionado, a final com o Benfica (4-1) mas que fazia parte do grupo de 68. O característico futebol britânico, já campeão do Mundo em 1966, podia mostrar ao mundo o estilo de kick and run que, nas mãos de Matt Busby, era único.

Brasil de 1970
Féliz; Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo; Jairzinho, Gérson, Clodoaldo, Rivelino; Tostão, Pelé;
Treinador: Mário Zagallo;
O treinador Mário Zagallo, que ao vencer o Mundial de 1970 com o Brasil conseguiu o feito de ser o primeiro de sempre a vencer o torneio como jogador (1958 e 1962) e depois técnico, treinava um onze de sonho e que terá sido o melhor de sempre da história do país. Todos os futebolistas jogavam no campeonato brasileiro. O líder, claro, era Pelé, do Santos, que ganhava o seu terceiro mundial, depois de 1958 e 1962. Era um futebol que era um abuso. O Brasil venceu os seis jogos da prova, marcou 19 golos em seis jogos, os seus craques faziam fintas que chegavam a envergonhar o adversários, tal a superioridade. A revista World Soccer, em 2007, considerou o Brasil de 1970 a melhor equipa da história do futebol.

Holanda de 1974
Jongbloed; Rijsbergen, Haan, Suurbier, Jansen, Krol; Neeskens, Van Hanegem, Cruyff; Rep, Rensenbrink;
Treinador: Rinus Michels;
Rinus Michels, o treinador, inventou um futebol total, em carrossel, onde os jogadores tinham posições apenas ligeiramente definidas. Parecia magia. No meio de tudo, Cruyff, o génio que, em 1974, depois da formação no Ajax, já estava em Barcelona. Crescera no Ajax, porém, tricampeão europeu em 1971, 1972 e 1973. Aliás, a maior parte da fornada era do Ajax: Rep, Neeskens, Krol, Suurbier e Haan. Esta Holanda foi vice-campeã Mundial em 1974 e deixou uma marca inesquecível, modernizando o entendimento do jogo pela inteligência, movimento, elegância. Clockwork Orange, de 1971, filme de Kubrick traduzido para português como Laranja Mecânica, estava fresco. A cor laranja da Holanda permitiu associação.

Bayern de 1975
Maier; Schwarzenbeck, Beckenbauer, Hansen, Horsmann; Roth, Dumberger, Kapellmann, Rummenigge; Muller, Hoeness;
Treinador: Dettmar Cramer;
Começou com a vitória no Campeonato da Europa de 1972. A Alemanha já era liderada pelo defesa Beckenbauer, carismático, corajoso, tecnicista, rápido. Seguiu-se o título mundial de 1974, em Munique, frente à Holanda (2-1). Era uma equipa gélida, concentrada, forte, agressiva, parecia imbatível. A base era o Bayern, que em 1973/74 vencia a Taça dos Campeões Europeus. No ano seguinte perdia Breitner, mas manteve o ritmo, conquistando a prova outra vez nos dois anos seguintes com o treinador Dettmar Cramer que, ainda que importante, ficou um nome secundário quando comparado com o treinador Beckenbauer. Já efectivamente no cargo de treinador, o kaiser seria campeão mundial com a Alemanha em 1990.

Liverpool de 1978
Clemence; Neal, Hansen, Hughes, Thompson; McDermott, Souness, Case, Raymond Kennedy; Dalglish, Fairclough;
Treinador: Bob Paisley;
Uma obra do treinador Bob Paisley, que, como jogador e treinador, esteve 44 anos no clube. Em 1978, o Liverpool sagrou-se bicampeão europeu. Já Dalglish no lugar do também histórico Keegan, que ganhara o título europeu um ano antes. Mas os outros dez eram os mesmos do ano anterior.. Ainda com Paisley, em 1980/81, e praticamente com a mesma equipa outra vez, o Liverpool volta a sagrar-se campeão europeu, confirmando o poder e a durabilidade rara do núcleo de jogadores. Era uma equipa de combate perfeita. Já sem Paisley, com Fagan a treinador um onze com Neal, Hansen, Kennedy, Souness, Dalglish e Rush, os reds venceriam outro título europeu em 1983/84. Foi um período central para um clube lendário.

Brasil de 1982
Valdir Perez; Leandro, Óscar, Luizinho, Júnior; Falcão, Sócrates, Cerezo, Zico; Careca, Élder;
Treinador: Telê Santana;
O Brasil de 1982 não foi campeão do Mundo, na verdade chegou, em Espanha, apenas às meias-finais, caindo aos pés da frieza italiana. Porém, a equipa orientada por Telê Santana e que, no campo, seguia a passada larga do Doutor Sócrates ficou na história do futebol como uma das mais elegantes de sempre. Só faltou o avançado Careca, que se lesionou antes do Mundial e foi substituído pelo menos cotado Serginho. A selecção que os brasileiros trouxeram à Europa era um grupo sem vícios europeus. Apenas Falcão, que então jogava na Roma, actuava fora do Brasil. Era uma equipa em estado de pureza artística, talvez a última do género. Não ganharam, mas se tivessem ganho se calhar não estavam na história.

Argentina de 1986
Pumpilo; Cuciuffo, Brown, Ruggeri, Baptista; Enrique, Burruchaga, Giusti, Olarticoechea; Maradona, Valdano;
Treinador: Carlos Bilardo;
Às vezes é difícil recordar mais do que dois ou três jogadores da Argentina campeã do Mundo em 1986. Surgem os nomes de Valdano, Burruchaga e, evidentemente, Diego Armando Maradona, que a maior parte das pessoas, talvez para compensar, conhece pelos três nomes, como se fossem três jogadores num só. A Argentina de 1986 ficou na história não tanto por equipa, mas por jogador. O nome da equipa, aliás, bem podia ser Maradona 1986. Caso raríssimo de dependência do génio. A Argentina do treinador César Luís Menotti, campeã do Mundo em 1978, com Mario Kempes no campo, também deixou a sua marca na história, mas a luz de Maradona no futebol mundial ilumina tudo só por si.

Milan de 1989
Galli; Tassotti, Costacurta, Baresi, Maldini; Colombo, Rijkaard, Ancelotti, Donadoni; Gullit, Van Basten;
Treinador: Arrigo Sacchi;
Metade da equipa jogava e pensava de forma italiana, metódica, organizada, tal como queria o treinador Arrigo Sacchi. A outra metade, porém, sobretudo a metade que atacava, era fortemente influenciada pelo espírito holandês que impunham Rijkaard e, sobretudo, as super-estrelas Ruud Gullit e Marco van Basten, absolutamente incontornáveis na história do futebol europeu nos anos 80 e 90. Estes três holandeses, de resto, foram determinantes no título europeu da Holanda em 1988. Todos juntos, com os italianos, venceram no Milan, no final dos anos 80 e primeiros anos dos 90, dois campeonatos, duas Taças dos Campeões (uma ao Benfica), duas Supertaças europeias e duas Taças Intercontinentais.

Barcelona de 1994
Zubizarreta; Koeman, Ferrer, Nadal; Guardiola, Bakero, Sergi, Laudrup; Beguristain, Stoichkov, Romário;
Treinador: Johan Cruyff;
O Barcelona foi campeão europeu em 1991/92, já treinado por Cruyff e com Zubizarreta, Ferrer, Koeman, Guardiola, Laudrup, Stoichkov e Baquero na equipa, mas seria em 1994, depois da decisiva chegada do avançado brasileiro Romário, que atingiria o seu expoente de qualidade, mesmo que, em nova final da Taça dos Campeões, tenha perdido 4-0 com o Milan, em 1993/94. Em Espanha, este grupo venceu os títulos de 1991, 1992, 1993 e 1994. A facilidade do jogo dos catalães, a forma provocatória com que Romário era colocado à frente do guarda-redes pela torrente de futebol ofensivo ganhou dimensão onírica. Na Catalunha começaram a chamar-lhe Dream Team. No resto do Mundo também.

França de 2000
Fabien Barthez; Thurm, Blanc, Desailly, Lizarazu; Vieira, Deschamps, Djorkaeff, Dugarry, Zidane; Henry;
Treinador: Roger Lemerre;
A vitória no Mundial de 1998 foi o primeiro passo da história, mas a confirmação da excelência do grupo liderado por Zinedine Zidane veio em 2000, no Campeonato da Europa, com outra vitória. Era uma equipa já sem Petit, Karembeu e Guivarc'h, mas com mais balanço, mais ligação. Era um grupo paciente, que misturava experiência e juventude, com jogadores espalhados pelos grandes da Europa, uma representação de tempos modernos, mais livres. No Europeu, os franceses até ficaram em segundo no grupo e nunca tiveram vida fácil a eliminar: 2-1 à Espanha, 2-1 a Portugal, 2-1 à Itália, na final. Não era futebol típico francês, longe disso. Era tudo calculado por Zidane, ao milímetro, nada parecia ao acaso.

FC Porto de 2004
Vítor Baía; Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Nuno Valente; Costinha, Pedro Mendes, Maniche, Deco; McCarthy, Derlei;
Treinador: José Mourinho;
Depois de ter vencido a Taça UEFA em 2003, José Mourinho, avançada para a conquista da Champions com o FC Porto, projecto nessa altura visto como impossível. Não era. Mourinho ganhou e saiu, dizendo que era especial. De lá para cá, o setubalense continua a caminho de, tão simplesmente, se tornar, se mantiver o ritmo, no técnico mais premiado e vencedor de sempre. Aquele FC Porto tinha craques como Baía (um dos futebolistas com mais títulos na história), Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Jorge Costa, Costinha, Maniche, Deco ou Derlei. Era a base da Selecção que foi à final do Euro-2004 e às meias do Mundial-2006. Mas, mais que uma equipa, era um treinador a entrar na história.

Barcelona de 2010
Valdés; Dani Alves, Puyol, Piqué, Abidal; Busquets, Xavi, Iniesta; Pedro, Messi, Villa;
Treinador: Pep Guardiola;
A equipa treinada por Pep Guardiola, antes aluno do barcelonismo, hoje professor, ganhou seis troféus em 2008/09, então ainda com Eto'o no ataque. Era já um grupo com muito espaço conquistado na Espanha que venceu o Campeonato da Europa de 2008. Mas aprimorou, cresceu para os lados do impossível. O argentino Messi está no pódio dos melhores do Mundo há quatro anos (inédito) e vence há dois seguidos. Além do mais, o pódio da Bola de Ouro foi inteiramente do Barça: com Messi, Xavi e Iniesta. E jogam como raramente se viu, parece magia, coisa que provoca quase tonturas. E, claro, ainda Puyol, Piqué, Busquets, Pedro, Villa, Valdés, todos campeões do Mundo por Espanha em 2010.

14 Comentários:

Às 12:20 da tarde , Blogger Pedro Coimbra disse...

Sendo portista, e ficando contente por ver o Porto entre tantos ilustres, das equipas que vi jogar, a que meis me marcou foi a laranja mecânica.
Seguida de perto pelo samba do Barsil de 82.

 
Às 5:19 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

Benfica, 1962, sem qualquer sombra de dúvida.

 
Às 7:30 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

Em minha opinião, Porto de 2003 era melhor...

 
Às 9:10 da tarde , Blogger VICI disse...

Embora seja muito complicado optar, inclino-me para o Brasil do Dr. Sócrates, um dos mais elegantes jogadores que me lembro de ver jogar à bola, e de um génio chamado Zico: o Brasil de 82.

 
Às 10:02 da tarde , Blogger Pedro Coimbra disse...

Vici,
Vou-lhe dar uma novidade.
Zico, de seu nome Artur Antunes Coimbra, é meu familiar.
Primo do meu pai.
Filho de um irmão do meu avô emigrado no Brasil.
Só soubemos deste parentesco precisamente em 82, durante o Mundial.
O Mundo é mesmo pequeno.

 
Às 10:07 da tarde , Blogger VICI disse...

Caro Pedro,

Sem dúvida, mundo verdadeiramente pequeno. E que ilustre parente!

Quer isso dizer que lhe corre nas veias sangue lusitano. Então definitivamente opto pela selecção de 82! ;)

Abraço.

 
Às 11:09 da manhã , Anonymous José Ferreira disse...

Vici
Eu sou primo do Eusébio da Silva Ferreira, facto que descobri quando fui a Angola, terra de origem de um dos progenitores do Rei.

 
Às 7:13 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

Benfica de 1962! Grande equipa, grandes elegrias. Abraço

 
Às 7:15 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

Sem dúvida Brasil de 1970. Mas na verdade todas são boas. Abraço

 
Às 9:41 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

O Brasil de 82, foi melhor, na minha opinião.

 
Às 9:43 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

Progenitor de Eusébio de Angola? è novidade mesmo de parente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 
Às 12:31 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

http://www.opais.co.ao/pt/revista/?id=1639&det=9251&mid=292

 
Às 5:12 da manhã , Anonymous Anónimo disse...

Eu votaria Brasil 1982. Pelos resumos com banda sonora narrados em tom épico pelo Gabriel Alves, gravados em vhs e vistos e revistos ad nauseam. Jogavam o futebol delícia.

Não houve melhor do que eles, nem mesmo a Itália de Rossi, de Zoff e do "grido" de Tardelli, que os derrotou!

Abraço,
NB

NB

 
Às 11:40 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

Brasil de 1982..Uma maravilha.

 

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