quinta-feira, outubro 25, 2012

Por Ma Si Ka.

[Esta é uma posta escrita por Ma Si Ka, que entretanto perdeu a password do blogue e me pediu para publicar o texto.]

Desde há uns tempos a esta parte que receber notícias de Portugal transformou-se num exercício de masoquismo. Os consecutivos aumentos dos Impostos, do desemprego, das falências dos preços e da austeridade transformaram os telejornais em autênticos noticiários da desgraça.

Pergunto-me muitas vezes se seria necessário noticiar tão exaustivamente a dita “crise”. É verdade que as pessoas têm que ser informadas para quanto mais não seja não estranharem o próximo “assalto” de que vão ser alvo.

Acontece que, há notícias que por e simplesmente não o são. Dou apenas dois exemplos: As reportagens e entrevistas feitas nos postos de abastecimento sempre que há um aumento nos preços dos combustíveis. Haverá alguém que no seu perfeito juízo concorde com os aumentos? Haverá alguém que não passe de imediato para a crítica ao dito cujo? Então para quê as entrevistas?

Se o objectivo é informar diga-se apenas que o preço vai aumentar e poupe-se o telespectador ao sacrifício de ouvir os entrevistados a malhar na “política de aumentos” de quem os dirige.

Outro exemplo é o dos apelidados “novos emigrantes”. Quase todos os dias vejo reportagens sobre jovens (e não só) a queixarem-se da fatalidade que é ter de emigrar!!! Coitadinhos dos enfermeiros, engenheiros, arquitectos e consultores que todos os dias deixam a Lusitânia. São reportagens gravadas em casa com os próprios agarrados aos peluches de sempre, despedidas lacrimejantes nos aeroportos e mensagens de revolta por não se poder continuar a beber o cimbalino no café “Central”.

Na semana passada, o novo herói da Tuga era um jovem enfermeiro que escreveu uma Carta a Cavaco Silva, como se este pudesse ou tivesse capacidade de fazer algo para o ajudar. Escrevia o jovem que tinha sido “obrigado” a ir trabalhar para a longínqua Inglaterra. Logo ele que tanto teve que estudar, e que assumidamente confessava que a sua formação tinha custado uma fortuna ao Estado, não podia agora retribuir o investimento que os contribuintes fizeram nele, e tinha que abalar para Inglaterra, esse local inóspito que dista uma galáxia do nosso país. No dia da despedida, viam-se uns quantos como ele, todos a chorar como se partissem para o degredo sem esperança de nunca mais voltar.

Ó meu caro jovem, a vida é mesmo assim. Eu sei que vivemos numa sociedade sanguinária, materialista e exploradora. Sucede que o Homem sempre migrou. Primeiro por razões climáticas, depois em busca de alimento e mais recentemente em busca de trabalho, vulgo sustento. Tudo dependeu sempre do estádio de evolução do meio em que esse mesmo Homem se encontrava. Mais, caso não te recordes a Europa, para além de todos os adjectivos malévolos que lhe atribuem, está hoje alicerçada no princípio da livre circulação de pessoas (bens e capitais). É suposto que as pessoas circulem, troquem conhecimentos e experimentem realidades diversas das suas. Eu sei que te sentes obrigado a emigrar, sim, e que não o fazes por moto próprio, mas olha que emigrar para “terras de sua majestade” no século XXI, não é assim um pesadelo tão grande. Pensa bem que nos anos 50 e 60, se fosses natural de Bragança e se quisesses ir estudar para o Porto, demorarias certamente mais tempo do que aquele que te custa hoje a chegar Londres de avião.

Dou graças a Deus por o Infante D. Henrique não pensar como tu. Imagina que o saudoso príncipe não prescindia de ir ver os jogos ao “Dragão” e desatava a fazer uma birra com o Pai quando ele o mandou para os Algarves….lá se ia a expansão marítima Portuguesa, lá se iam os descobrimentos, a portugalidade e tudo o que lhe está associado. Se calhar até já nem existia Portugal….Se calhar para ti até que nem era mau, escusavas de ter que sair da tua rua.

2 Comentários:

Às 12:16 da tarde , Blogger VICI disse...

Duas notas, meu caro:

a) concordo que, regra geral, a maioria da malta jovem é laxista e acomodada; contudo
b) caberia aos políticos a criação de condições para que um jovem só emigre se quiser! Ora, está mais do que visto que a escumulha que governa o país há 40 anos é vergonhosamente incompetente; são uns corruptos despudorados! O Sr. Silva também tem, obviamente, culpas no cartório...

Abraço!

 
Às 3:51 da tarde , Blogger Pedro Coimbra disse...

Essa carta do enfermeiro é ridícula.
O fulano parece que é enviado para o degredo.
E sujeito a trabalhos forçados.
Não é uma questão se só emigrar se se quiser.
É a mentalidade mesquinha de ainda querer um emprego para a vida, bem remunerado, ao pé da porta.
JÁ NÃO HÁ!!!
ACORDEM!!!

 

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